quinta-feira, 31 de março de 2011

A Carreira Diplomática Brasileira

Autor: Leonardo Queiroz Leite

A carreira diplomática brasileira

A opção pela carreira diplomática figura como o caminho mais tradicional para o bacharel em Relações Internacionais. É impossível passar quatro anos estudando o funcionamento do sistema internacional sem em algum momento se colocar na pele de um dos atores mais importantes da vida internacional: o diplomata.

O curso de graduação em Relações Internacionais, por sua vocação multidisciplinar e generalista, é, inegavelmente, o mais indicado para aqueles que pretendem se debruçar sobre os estudos para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD). Ao tomar contato com temas de História, Diplomacia, Direito, Política Internacional, Economia e Teoria das Relações Internacionais ao longo do curso, o estudante de Relações Internacionais passa a construir uma sólida base conceitual e teórica, e ao mesmo tempo em que cursa a graduação já está automaticamente se preparando para o concurso. Atualmente, essa tendência tornou-se evidente visto que os egressos dos cursos de Relações Internacionais são o segundo grupo mais numeroso nas listas de aprovados para o Instituto Rio Branco, ficando somente atrás da tradicionalíssima formação em Direito

O diplomata é um servidor público federal que possui três funções essenciais: representar, negociar e informar. Esse profissional pode trabalhar tanto no Ministério das Relações Exteriores em Brasília, como em embaixadas e organismos internacionais em vários países nos quais o Brasil está diplomaticamente presente. Sinteticamente, pode-se dizer que o diplomata trabalha para elaborar posições negociadoras e propor linhas de ação que o seu país deve executar para dar concretude às diretrizes gerais de política externa formuladas pela Presidência da República e pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. Para atingir seu objetivo, o diplomata processa informações e coloca em prática seu conhecimento para elaborar posturas políticas que favoreçam o interesse nacional do país que defende.

O Brasil, com sua fortíssima tradição diplomática, conta com uma academia diplomática de enorme prestígio internacional (o Instituto Rio Branco) e com a centralização da política externa nas mãos do Itamaraty. Assim, exige dos aspirantes a diplomata uma imensa carga de estudos e uma formidável bagagem cultural acumulada, uma vez que o exame de admissão por via de concurso público é a única e exclusiva forma de entrada na carreira. É um caminho penoso, e passar por essa porta estreita exige anos de dedicação aos estudos preparatórios, além de profundos conhecimentos em línguas, sendo cobrados o Português com status eliminatório, o inglês e duas outras línguas como classificatórias.

Portanto, a aprovação na carreira diplomática é um projeto plurianual, que demanda essencialmente tempo, conhecimento acadêmico sólido, atualização constante e acompanhamento da realidade internacional, domínio completo de quatro idiomas, leitura mínima da densa bibliografia exigida e, principalmente, um arcabouço cultural bem acima da média.

Levando em consideração a dificuldade inerente à opção pela diplomacia, é crucial ponderar que a carreira diplomática implica em uma série de fatores que a diferenciam substancialmente das demais profissões. Para o senso comum, a carrière é sempre cercada por uma aura de glamour e de infindáveis prazeres sociais regados a caviar e champagne. Todavia, na realidade, o que se verifica é muito trabalho duro devido ao reduzido número de diplomatas, necessidade de adaptação a diferentes países e culturas e de um forte espírito de renúncia pessoal.

Em compensação, de acordo com o diplomata francês do século XVIII, François de Callières, “a decepção nos aguarda em todos os caminhos da vida, mas em profissão alguma os desapontamentos são tão amplamente superados por ricas oportunidades como na prática da diplomacia”. Portanto, a força de sedução da carreira diplomática e todo o fascínio que ela inspira decorrem das oportunidades douradas que o diplomata tem, no seu dia-a-dia, de conviver com pessoas interessantes, de poder conhecer o mundo e de ter contato direto com os bastidores da política internacional.

Encerro o artigo com a magistral definição da carreira diplomática proposta pelo Embaixador Mário Gibson Barbosa: "Confesso que não sei, até hoje, em que consiste uma vocação diplomática. Se por tal se entende o gosto fútil pelos prazeres mundanos, pelas festas de sociedade, então o equívoco é grave e pode ser funesto. Pois ser diplomata é, antes de tudo, aceitar a condição de estrangeiro, na maior parte existência. É conformar-se em viver num país que não é o nosso e que nunca nos aceitará totalmente, por mais que nele possamos criar um círculo, sempre provisório, de relações, num meio que devemos cuidadosamente respeitar para não ferir suscetibilidades, pois a crítica não é tolerada quando provém de um estrangeiro. É resignar-se a viver longe da família e dos amigos, a ponto de, por causa das prolongadas ausências, faltarem assuntos quando nos reencontramos. É ficar fisicamente afastado do povo a que pertencemos e que forma o nosso substrato psicológico e social. É ter equilíbrio emocional para, muitas vezes, suportar a solidão. É possuir ou adquirir a qualidade de saber adaptar-se. É ter gosto pela negociação e pela conciliação, resistindo ou cedendo conforme o caso, para chegar a um fim que nunca será inteiramente satisfatório. É ter a humildade de se converter num especialista em generalidades, em saber pouco de muito em vez de muito de pouco, ao contrário, portanto, do que caracteriza o técnico."

PS: Duas leituras podem ser muito valiosas para aqueles que se inclinam para a opção da carreira diplomática e querem conhecer mais sobre a vida do diplomata e sua atividade profissional:

1) Os bastidores da diplomacia: O Bife de Zinco e outras histórias, do diplomata e ex-embaixador brasileiro no Chile, Guilherme Luiz Leite Ribeiro. Publicado pela editora Nova Fronteira, 2007.

2) O Instituto Rio Branco e a diplomacia brasileira: um estudo de carreira e socialização, da antropóloga Cristina Patriota de Moura. Publicado pela Editora FGV, 2007.

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Autoria: Leonardo Queiroz Leite

Bacharel em Relações Internacionais pela UNESP – Franca

Membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG

Acadêmico de Direito – Faculdade de Direito de Franca

23 de agosto de 2009

http://www.artigonal.com/politica-artigos/a-carreira-diplomatica-brasileira-1383668.html

Perfil do Autor

Bacharel em Relações Internacionais pela UNESP; Especialista em Política e Estratégia pela ADESG; Acadêmico de Direito pela Faculdade de Direito de Franca; Presidente do Conselho Municipal de Juventude de Franca.

BLOG: http://espiritismoeconscienciacritica.blogspot.com/

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FELIZ 2011!!

Caros amigos, o ano de 2011 promete muitas novidades aqui no blog porque finalmente é tempo de dedicar-me a ele, antes, porém, quero desejar-lhes um SUPER 2011!! Cheio de grandes realizações, saúde e paz.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Eu recomendo...

Olá!
Nesta semana, eu recomendo o livro "Política Externa Brasileira" de Henrique Altemani de Oliveira como leitura obrigatória para quem quer fazer as provas para a carreira de diplomata. Já li esse livro e em breve começarei a postar um resumo de cada capítulo do livro no blog para ajudar aqueles que não dispõem da  obra.

                                           

Sobre o autor: Henrique Altemani de Oliveira é doutor em sociologia pela USP, com tese sobre "Política Externa Brasileira e Relações Comerciais Brasil-África". Foi professor e coordenador do curso de Mestrado em Relações Internacionais da Universidade de Brasília e professor visitante do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP. Atualmente é professor do curso de Relações Interncionais e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Relações Interncionais da PUC/SP.

Um pouco sobre o livro: O objetivo central desse livro é disponibilizar uma visão sequencial e analítica dos pressupostos políticos que fornecem a base do processo de inserção internacional brasileira, isto é, pretende-se realizar um estudo da evolução da política externa brasileira em suas faces e fases, ressaltando-se os aspectos políticos.

domingo, 4 de abril de 2010

Subsídios, a face negativa

Olá!
Selecionei este artigo para provocar algumas reflexões críticas sobre a política de subsídios nas economias. Espero que gostem e se lembrem de que tudo tem um lado positivo e outro negativo...

Os subsídios agrícolas agravam a fome, artigo de Alberto Tamer

...uma vaca na Suíça recebe US$ 3 de subsídio por dia, três vezes mais do que ganha em média um trabalhador rural africano - isso quando encontra emprego, o que é raro...

[O Estado de S.Paulo] A fome atinge 1 bilhão de pessoas, mas não há crise alimentar no mundo. No ano da grande fome nos países subdesenvolvidos, em 2008, a safra mundial de grãos foi a maior da história. Teria dado para alimentar o dobro da população mundial e ainda estocar. Houve reuniões de chefes de Estado, promessas sem fim, mas nada mudou. O desafio alimentar de 2008 foi provocado principalmente pela alta de 145% dos preços do grãos; em alguns casos, chegou a 300%. Isso foi provocado por anos sucessivos de exuberante crescimento econômico e falta de investimentos na agricultura. São fatos reconhecidos, mas não superados. Hoje, há séria ameaça que tudo se repita.

PROMESSA NÃO CUMPRIDA

O alerta foi feito na quinta-feira, em Roma, pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf. Ele foi corajoso: “Não vimos nem um centavo dos US$ 20 bilhões que os líderes mundiais prometeram durante a cúpula do G-8 em L”Aquila, na Itália.” E, acrescenta ele, os preços das commodities agrícolas estão voltando a aumentar.

Essa denúncia coincide com a chegada às livrarias do livro do correspondente do Estado em Genebra, Jamil Chade, “O mundo não é plano – a tragédia silenciosa de 1 milhão de famintos”, das editoras Virgília e Saraiva, com fotos de Juca Chaves. Um livro excepcional e valioso, que recomendo. Será lançado no dia 4, no Shopping Higienópolis, das 19h30 às 22 horas.

O autor mostra não só o drama dos países africanos, mas também que os subsídios agrícolas nos países ricos derrubam os preços e inviabilizam a agricultura dos mais pobres. Apresenta um cenário minucioso das negociações inúteis em Genebra, Bruxelas e Roma.

Chade viajou longamente com o diretor da FAO, participou de todas as reuniões da entidade, ouviu dezenas de embaixadores, ministros, economistas e, ao lado da descrição objetiva dos fatos, faz análises lúcidas com base num volume impressionante de dados. Viu a dura realidade e voltou a Genebra e Bruxelas para chocar-se com a fria reação dos que poderiam fazer alguma coisa, que tratam do drama da fome como um assunto qualquer. Fazem promessas que não são cumpridas. E convoca-se mais uma reunião.

Chade faz o contraponto entre a tragédia africana e o luxo dos hotéis em que esses encontros se realizam.

“A fome está provocando a morte de 6 milhões de crianças por ano, uma a cada cinco segundos, de acordo com a FAO. Mesmo assim, não é uma prioridade para os países desenvolvidos.”

A fome é um problema localizado, provoca mortes, mas não afeta a economia mundial, pois o aumento dos preços das commodities beneficia os países exportadores. Para o Programa Mundial de Alimentação, alimentar diariamente 75 milhões de pessoas custa apenas US$ 6 bilhões por ano, mas nem esse dinheiro a ONU consegue.

SUBSÍDIOS DEVASTADORES

Mas por que eles mesmos não produzem? Porque não têm recursos. Secas sucessivas estão transformando em deserto áreas que antes eram de plantio. Mas, acima e tudo, diz Jamil Chade, é porque, mesmo que produzissem mais, não poderiam concorrer com países que subsidiam generosamente produção e exportação. É o subsídio americano e europeu que agrava o drama africano e de alguns países asiáticos.

Eles poderiam plantar para comer, mas não têm sementes, fertilizantes. E o correspondente do Estado volta a Genebra e Bruxelas para “descobrir” que uma vaca na Suíça recebe US$ 3 de subsídio por dia, três vezes mais do que ganha em média um trabalhador rural africano – isso quando encontra emprego, o que é raro.

E O PETRÓLEO?

Sim, tem o petróleo. Mas ele é exportado, sai sem deixar riqueza. A China lidera o avanço para o seu “safári” na Nigéria, ironiza Chade. “A invasão dos chineses deixa atônito sobretudo os governos de outros países, além do próprio povo nigeriano. Dos quase 3 milhões de barris que a China importa diariamente, 1 milhão é da África, principalmente da Nigéria, de Angola e do Sudão, com os quais firmaram acordo para extrair e importar mais. A Nigéria produz 2,6 milhões de barris por dia, mas pode chegar a 4 milhões neste ano com os investimentos estrangeiros.”

Vai tudo embora. A China apoia qualquer governo, quanto mais corrupto, melhor, e, quando se fala de violação de direitos humanos, diz que “é assunto interno”. Ela já pôs em órbita um satélite de comunicação “nigeriano” ao custo de US$ 300 milhões, para melhorar a comunicação com o país, mas principalmente para obter informações sobre o Golfo da Guiné, rico em petróleo.

CONCLUSÃO ASSUSTADORA

O que deixa são migalhas reluzentes, painéis gigantescos mostrando ao pobre nigeriano o que a China faz por eles. Algumas estradas, recuperando hospitais decrépitos, escolas aqui e ali, migalhas, comparadas com a riqueza que levam. A riqueza do petróleo está onde é refinado e consumido, na construção de indústrias, de polos petroquímicos, não onde só se extrai. Está na China, não na Nigéria. E isso num país politicamente tumultuado, onde persiste a tragédia de Biafra, onde 1 milhão de pessoas que queriam comida e liberdade foram massacradas.

“A conclusão assustadora é que a humanidade ainda está lutando contra um inimigo conhecido há séculos e já se sabe como derrota-lo. Mas esse não é um assunto prioritário.”

*Alberto Tamer, jornalista, editorialista e colunista econômico do jornal o Estado de S.Paulo. E mail: at@attglobal.net

Artigo originalmente publicado no O Estado de S.Paulo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

EM BREVE: RESUMOS, ESQUEMAS, MINI ARTIGOS DE LIVROS E TEMAS RELACIONADOS AO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DO CONCURSO DO IRBR. ABRAÇOS.
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